quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Travessia



Nas palavras rebuscadas onde repousam melodias
encontrei fuga e liberdade, bebi fé e rebeldia...

Entre o "eu" mais pungente e a ardente sinfonia
onde mora a vertente da inocente ironia
vi raiar luz e flora, ontem e agora, vi tristeza e alegria...

De tais verbos e complexos fonemas, onde moram as tais
rimas, fiz-me cama onde encima dormiram meus poemas...

E assim, brincando com palavras pra esconder melancolia,
descobri tudo e nada, desvendei filosofias.
Fiz de noite o meu sereno, fiz de claro o meu dia,
Fiz-me grande e pequeno. E na dor fui travessia.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

You should be here...

...Desliguei o abajur, que de luz mansa
cobria o quarto. Deitei meu corpo na
cama fria, que passara o dia abandonada
e descansei a nuca sobre as mãos que se
casavam e se união entre os dedos.
Meus olhos se abriram ao escuro
para tentar imaginar sobre o nada
as cenas que minhas retinas desejariam
verdadeiramente ver. Vi uma raio de luz
da lua que invadia meu quarto entrando
por uma fresta da janela. Vi no pedaço de lua
a cor do sereno sobre a rua, vi sua cor prata
e nua, vi pintado na lua sua silhueta tão bela.
Vi seu rosto cantando, e ao ficar olhando vi o
sorriso dela. Virei-me e fiz planos pra nós, ouvi
meus sonhos, ouvi sua voz e senti saudade,
daquelas que queima o peito. Estendi o braço
que de pronto me obedeceu em ligar meu MP4
que repousava sobre um adaptador conjugado
á duas pequenas caixas de som e de imediato
o quarto se encheu de canções, aquelas canções
que o Kim da banda Catedral parece ter composta
pra mim. Disfarçadamente deixei uma lagrima rolar,
e ela lambeu minha face enquanto escorregava
por baixo do lóbulo da minha orelha até se esparramar
desesperada no travesseiro. Meu eu chorou. Meu corpo
dormiu na saudade. E a noite se repetiu...
[você deveria estar aqui]

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Simples de mais



Amar é simples de mais
quando são os teus olhos,
quando são os teus lábios,
quando é teu cheiro

Amar é simples de mais
quando é a tua saudade
que me acorda no meio da noite,
quando é teu sonho que me motiva

Amar é simples de mais
quando são as nossas lembranças
que me arrancam lagrimas,
que me deixam assim.

...É simples de mais
quando é o teu sorriso,
quando é o teu olhar,
quando é o teu toque

...É simples de mais
quando sou eu te buscando
em todas as direções
dentro de mim

Quando sou eu
te querendo aqui
por um instante,
por um segundo de prazer

Amar é simples de mais
quando sou eu chorando
tua saudade, quando é nossa verdade,
quando é você.
[Simples de mais...]

terça-feira, 2 de julho de 2013

...mal me quer...



Quão longe me foram os olhares d'alma ardente
quando em repudias estridentes me afagaram
as ardentes chamas do teu desejo
Que me foram os teus olhos
Que me foram os teu beijos

Balsamo e suave descanso aos meus anseios
que em teus seios repousaram
e dormiram como dormita a alma leve
E me teve teus braços
E me teve teus traços

E sussurramos os medos, e calamos segredos
Que por nós se entregavam, e se amavam
nos enredos que nossos prazeres fizeram jus
E nos teve a lua... e nos teve tão sua
E nos teve a  noite... enfim nus.

 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Soltura.



Ainda que me desça ao peito
os prantos que em meu leito dorme,
E acorde em mim a insana dor
de quem vive e de quem morre

Ainda que meus ais sorriam em disfarce
e em clausura se enlace as fingidas fulgas
como nas noites que me julga a tua
pérfidia ausencia

Como nos rasgos que me comem a
maledicência de não ter o teu olhar
De não ter o teu toque,  e ainda que
me provoque. De ser eu tua verdade

Ainda assim direi do meu amor
que morra mais o que acabou
e que a dor se transforme em liberdade
antes que morra eu, ou me consuma a saudade.


 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Do meu amor.


Que brisa é essa que mareja
dos olhos rasos da menina de
sonhos puros que meus olhos
deseja?

Que brisa é essa
Que lhe feri o peito?
Que lhe mirra o jeito?
Que lhe mareja?

Que brisa é essa que
tras o peito para a retina,
e exibe o coração nos olhos
tristes desse meigo olhar?

Eis que sei a densidade de
tal brisa, e também a origem
de tal dor.

A brisa na verdade é saudade.
E saudade, com certeza; do meu amor.

 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Metamorfose



E de repente alguém te encontra
e faz a vida valer a pena.
E de repente a vida muda,
de cor... de sabor... de clima...
E de repente você se perde
num horizonte que roubou
teus olhos.
E de repente você entende
que é ali a casa que você
sempre sonhou.
E de repente você se encontra
escrevendo poesias, ou lendo-as,
sem vontade de voltar.
[ Porque o amor verdadeiro, é um caminho só de ida...]

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Notas da chuva...


Tem dias que eu preciso ser, mais que eu mesmo,
o mesmo que não tem a obrigação de ser.
Tem dias que preciso de minhas verdades mais
que a mim. Que preciso ser desigualdade.
Que preciso ser saudade. Que preciso sorrir.

Tem dias que preciso apenas usar os braços,
abri-los desatando laços, sorrir pra vida e partir.
Pertir sem rumo, sei lá, pra onde não haja
ninguém, ou simplesmente, para onde haja "eu".

Tem dias que minha memória mescla fatos do
passado com meu presente, e me perco, e me excluo,
e sou ausente. A melhor coisa na vida, é não precisar
ser, é acontecer somente, acordar e se definir vida
em todos os sentidos da palavra.

Tem dias que a palavra brota crua e fere sem querer,
palavra santa é o olhar da lua que nos clareia e nos
deixa ver. Talvez eu ainda não tenha dito nada nesse
texto, sei  lá! Na verdade minha intenção não é dizer,
é ser, os dias que eu era menino, de corpo franzino,
olhar peregrino na beira da praia.

Corria com os cabelos ao vento, testa livre, peito nú
de liberdade, naquele tempo eu era, ouvinte de mim,
dos meus silêncios, de quando eu era palavra nenhuma.
Ah, quantas vezes eu ouvi a chuva! Quantas vezes eu à senti
percorrer meu corpo lizo, me levar ao paraiso, ser todo
"eu sorriso"!

Quantas vezes eu fui... É justamente isso que eu preciso ser,
alvo da chuva, nota sua, porta da rua, sem destino, nem saída.
Eu preciso ser essa liberdade, deixar de ser saudade,
de viver partindo. Eu preciso ser menino de braços abertos
bebendo da chuva, preciso ser vida.

Chuva, desmaia em mim tuas quedas suaves de entrega
completa! Se desmancha em mim!
Me deixa ouvir notas da chuva!
Quero novamente ser presente! Ser eu! Ser poeta!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Aquele dia ele não voltou. In the Arms of an Angel by Sarah McLachlan on Grooveshark



È triste como a vida as vezes tem o dom de nos fazer sofrer,
É triste como ela tem a mania de nos deixar saudade.
Pensei outro dia nessas coisas e senti o peito sufocar,
Lembrei de um sorriso que hoje não mais tenho, de uma alegria
que hoje não mais me envolve. Lembrei do meu irmão, de suas manias,
dos seus defeitos, de suas fantasias, seus trejeitos. E senti saudade.

Pensei o quanto a morte é cruel. Ela não te da a chance de pelo menos
cumprir, ou terminar alguns projetos e sonhos. Ela simplesmente
interrompe o vivo ciclo da existência, e ocupa o vazio com o nada,
com as lembranças, com a saudade.

Lembro muito bem daquele dia ensolarado, um dia como outro qualquer,
cheio de afazeres e atividades. Ele saiu de casa, com a previsão de voltar,
deu um abraço na mãe, abriu o portão e seguiu, passou no banco onde me
encontrou, me apertou a mão e partiu... com a previsão de voltar.

Aquele dia, ele viu pela ultima vez; o verde da grama nas ruas, o azul do
céu entre nuvens, e o movimento da existência. Aquele dia sua mente costurou
seus últimos pensamentos, sua memória rebuscou suas ultimas lembranças...
suas mãos prestaram as ultimas obediências aos mandados involuntários de
sua coordenação, respirou os últimos ares... sentiu os últimos palpitares do
coração.

Ele queria ser um profissional, concluir seu curso, ajudar os pais e estar 
com a família. Ele estava feliz com o nascimento da minha filha, e planejava
o meu aniversário. Tinha muitas coisas em mente, e em seu mundo imaginário.
Mas aquele dia ele não voltou... Ele não voltou.

Recebemos seu corpo inerte, frio, vazio, sem movimento. Não parecia ser
realidade... não parecia ser verdade... Mas, era. Aquele dia, pensei no
espaço vazio entre as próximas fotografias... Nas pausas engasgadas
num momento de risadas entre a família em alegria. Pensei no seu sorriso
claro, que agora só veríamos em fotos. Pensei na tristeza do natal,
e nos meus aniversários tristes, na curiosidade da minha filha, quando um
dia me perguntar; como era o seu tio. Por que aquele dia ele não voltou...

Não houve um ultimo abraço no pai, não ligou para se despedir da irmã
recém casada, não deu um abraço na cunhada. Por que aquele dia, ele queria
voltar. Não era seu plano partir... Não era seu plano. Mas a morte é cruel...
Não respeita planos. Ela, é cruel.

Mas eu sei, que ainda o veremos, ainda o tocaremos, e sentiremos o calor
do seu corpo num aperto ao peito... Longe da frialdade da devoradora terra
crua. Um dia o-veremos e caminharemos juntos, por outras ruas.

Nesse dia diremos:
"Onde esta, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó adeus, a tua vitória?"
Eu sei o quanto doí a distancia, o quão é sofrida a saudade. Mas haverá
um despertar... E finalmente, o nosso ultimo inimigo; a morte, já não haverá.

Eu sei que esse texto não precisava existir, ou deveria ser menos triste e tocar
menos do que tocou. Mas esse texto tem que chorar também as minhas lagrimas
e rezar também a minha dor. Eu sei que esse texto é triste... Mas esse texto só existe,
por que aquele dia... ele não voltou...

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Vida à todos pulmões!




Talvez essas letras não toquem a alma de todos,
Mas quero expor aqui algo que toca a minha alma.
Sabe..? Às vezes começo o dia com uma prece
e um olhar longe que flutua leve por ares
distantes e breves, de um desejo que talvez
a alma rasgue-se de não aguentar.
Tem dia que meu dia começa nublado, e uma
sombra de voraz catadura me invade e inquieta
o olhar frio. Minha mente tece em meio à prece,
fontes de sonhos tal qual um rio, e corro,
e percorro o trajeto que percorre a poesia,
sinto-me completo, sou poema e dialeto,
linguagem da existência no raiar do dia.

Hoje experimentei essa sensação, a única
sensação que nos faz perceber ainda humanos.
Aquele sonho de ser feliz, e dividir felicidade.
Sim! Aquele sonho e desejo de sorrir a qualquer
custo, de viver a vida, e mesmo de susto, sorrir...
Aquele sonho te tocar a pele de quem amamos num
calor desenfreado de um simples abraçar.
Aquele sonho de ser real. De ser igual. De amar.

Hoje eu ponderei nessas coisas;
Pensei que a vida é a mesma para todos, e não
adiante questionar posições sociais, raça, cor
idioma, ideologia ou crédo.
A vida é quebrar segredos sutis. É viver sem medo.
É acordar cedo. É ser feliz, a qualquer custo feliz.

A vida é sorrir pra fora. É sentir o perfume de
um peito que aflora a alma. É não querer ir embora.
É esquecer da hora num olhar que acalma.

viver é ser criança. É entrar na dança e fazer passos
bizarros. É ser andança, quebrar balanças, apagar cigarros.

Viver é evitar curvas. Tocar sem usar luvas. É dividir
guarda-chuvas e compartilhar gargalhadas eufóricas!

Talvez você não perceba, mas nesse exato momento
uma criança nasce na Alemanha, no Japão, na China,
na Mongólia. E quando nascerá em você?!
É preciso perceber a vida com essa perspicácia
ou então à deixaremos passar despercebida.

O sol nasceu hoje. O por do sol nascerá hoje.
E você não pode esquecer-se de nascer.
Esvazie-se de si. Viva a magia que cada dia trás.
Seja hoje a sua poesia. Viva esse dia com gosto de
quero mais.
Abra os braços e abrace a vida! Refaça o que o
infortúnio desfez. Porque não importa por quantas vezes
as lagrimas se repetiram:
A vida, essa magia, só acontece uma vez!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os dias que não sou...

Tem dias que não sou eu...
Que as lagrimas dançam timidas e não rolam,
Que a face desnuda é úmida
e as tristezas não choram...

Tem dias que sou fuga,
Madrugada cruel,
chuva timida,
Cinza do céu...
Sem azul.

Tem dias que sou casca
Das que não racham facilmente.
Que sou semente, que germina e morre
Que sou rio que não corre.
Das águas que não são.

Tem dias que visto tristeza,
Manto negro/ Peito vazio.
Soluço sozinho.
Sem solução.

Tem dias que minhas escritas
São penosas,
São pesadas,
Prensadas, chorosas.

Tem dias que não sou...
Aqueles dias frios,
finos, canção de sinos,
Folha seca que voou.

Sou vacuo, mormaço,
Luz negra, poeira ao vento
Que vai e ninguém percebe,
e não faz falta, e não volta.

Tem dias que não volto
E ninguém vê...

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Memória.



Minhas entranhas inibem meus prantos,
Num contido lamentar, em tantos
prantos que em todo canto
fervilho eu.

Minhas mãos mancham meus mantos,
E sangro tanto,
Sangue não santo,
Que de mim verteu.

Compulsoriamente fervilham meus olhos
vertentes de dor
No meu desamor
que à tanto me alui

Sangro e lembro
do tempo que eu não tinha razão
quando não era só solidão
Do homem/menino que um dia eu fui.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ocaso.



Ri-se em frouxos e curtos passos,
Sem medo, e afino...
_Pedal,terra,esporão!
Pardal, serra, verão!
Corpo franzino.

Ri-se em frouxo peito descampado,
Desbrava a vida, amparado e peregrino...
_Noite,pião,quimera!
Manhã, gamão, primavera!
Corpo/destino.

Corre a vida. Perde-se o tempo.
Amarga-se por dentro.
Pobre menino...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Gotejo



Gotejara meus olhos
em plena noite fina que surgia,
Gotejara min'alma
que em tua retina se ardia

Gotejavas em mim,
Se derramavas em mim,
E se entregavas todinha

Gotejara teus olhos
e derramara teus cantos,
Me contara segredos
Revelara teus prantos

Gotejavas em mim,
Se derramavas em mim,
-Ressalto que chovia-

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Tempos



_Ela era sonho,
Ele, fantasia...

Mui dignos dos versos que esponho,
Viviam amor, que em sonho se ardia

Ele, valente ser Homem,
Ela, fria primavera...

Se arrastavam pelas vidas que não eram,
Se afligiam pelo amor que não viviam

Ela, lua de cor em prata,
Ele, paixão da cor que mata...

E grito e canto e finjo que sou,
Quando deixo de ser [...verdade]

Ele, o que restou.Lembranças
Ela, o que ficou. Saudade.


 

domingo, 9 de setembro de 2012

Apagaram-se as rosas.



  Apagaram-se as rosas,
  Mas quem acendeu teu cheiro em mim?

  És tu, saudade indefinida?
  És tu, necessidade bruta e franca?
  Que no vazio da noite lanças angustias
  brancas?
  Ou é o contexto miserável da distancia ardida?

  Apagaram-se  as rosas,
  Mas quem me incendiou?

  No contexto central da saudade mórbida
  Estavam apagadas as minhas memórias de ti.
  Pelo menos pensei que estivera. Mas, és desenho
  feito a punho, que pensei ser rascunho, e não era.

  Apagaram-se as rosas,
  E pra onde fui eu depois que te ví?

  Te ví, não como a realidade existencial num ato,
  Mas na clausura libertina de meu tato,
  Desenhei-te como em sonho, e em face de meu
  desejo medonho, justificado estou de fato.

  Apagaram-se as rosas,
  E de mim, o que sobrou?

  A não ser o espectro sombrio da saudade tua,
  Não há em mim vigor algum que eu possua, ainda.
  A não ser imagens cruas da despedida,
  Nada em mim continua... Nem sonho... nem flor
  Nem perfume de amor, e muito menos a vida.
 
  [...] Saudade é morte que não tem fim!